AFD: como a batida do relógio vira rubrica na folha
Produzido pela equipe Frame · Metodologia e autoria
O AFD é o arquivo que sai do relógio de ponto e alimenta a folha. Entenda os dois layouts, o que ele contém e onde a cadeia costuma quebrar.
O relógio de ponto registra a batida. A folha paga o resultado. Entre os dois existe um arquivo que faz a ponte — o AFD, Arquivo Fonte de Dados —, e é nele que a cadeia do ponto costuma quebrar. Entender o que o AFD carrega é entender por que a apuração não pode começar do zero a cada mês.
O que é o AFD
O AFD é o arquivo que o relógio de ponto gera com as marcações do período. Ele existe por exigência legal e precisa preservar os registros originais, sem edição posterior. É a fonte: a partir dele, o sistema calcula jornada, faltas, horas extras, adicional noturno e o que mais a convenção ou o contrato determinarem.
O detalhe importante é que o AFD entrega marcações em ordem, com identificação do trabalhador e o tipo do registro — não entregas prontas de folha. Transformar marcação em verba é trabalho do motor de apuração.
Os dois layouts
Os relógios em operação no mercado falam dois layouts de AFD, e um sistema de DP precisa ler os dois:
- O layout da Portaria 1.510/2009, que por muito tempo foi o padrão.
- O layout da Portaria 671/2021, que atualizou o registro do ponto e trouxe a marcação por programa.
Ler só um dos dois deixa uma fatia dos clientes de fora — e obriga quem tem relógio antigo a redigitar o mês.
Da marcação à rubrica
O caminho entre a batida e o pagamento tem etapas que precisam conversar: a leitura do AFD, a classificação da jornada (44h, 12x36, 6x1, jornada personalizada), a conferência do intervalo e da tolerância, e só então a geração das rubricas com a natureza correta no eSocial.
Quando qualquer elo é preenchido à mão, a cadeia perde a prova. Um adicional lançado como "outros proventos" tem as incidências certas por acaso e a classificação errada por definição — e no eSocial isso é um evento cuja natureza não corresponde ao fato.
Onde a cadeia importa
A prova de que nada foi redigitado aparece quando o setor tem regra própria:
- Em obras, o AFD do canteiro alimenta a folha e a inscrição da obra entra no eSocial.
- Em escolas, o relógio entrega minutos, e o professor é remunerado por aula — a conversão precisa ser explícita.
- Em postos de combustível, cada marcação da madrugada carrega a hora noturna reduzida e a periculosidade do frentista.
Em todos, a pergunta é a mesma: o número que foi para a folha tem relação rastreável com a batida que o trabalhador registrou?
Por que isso é integridade, não conveniência
Ler o AFD não é só evitar digitação. É manter a trilha entre o que o relógio registrou e o que a folha pagou. Um sistema que confere essa cadeia consegue explicar cada verba do mês; um que redigita, não.
A apuração de ponto e a folha deveriam ser a mesma conversa. Quando são, a batida do relógio vira rubrica sem atalho — e a obrigação do mês nasce de um dado que dá para defender.